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Eu e As Galvão

Janeiro de 1980 em Chapecó – SC  nascia mais um caipira, uma criaturinha que já trazia no sangue o orgulho de ser brasileiro. Esse caipira que fala sou eu, Maikel Monteiro, um menino que cresceu ouvindo e prestando atenção nas melodias sertanejas que ouvia na vitrola da mãe.

Aos 12 anos comecei a montar meu acervo sertanejo, minha história musical e meus estudos, sempre baseado na Dupla Coração do Brasil Tonico e Tinoco.  Foi nessa época que encontrei meu caminho e meu destino. Sempre apoiado pela mamãe D. Odete e pelo avô Seu Arlindo, comecei a freqüentar emissoras de rádio,  a manter contato com pessoas do meio,  principalmente com a Dupla Dioro & Diorinho,  conterrâneos meus e que até hoje cultivam viva a nossa viola caipira em seu programa semanal pela Rádio Chapecó. Eu mal podia imaginar que o destino reservava para mim o encontro com as duas maiores jóias da música sertaneja, As Galvão.

Foi  em uma noite de agosto de 1995 que entrei em contato, via telefone, com a Marilene. Apresentei-me e deu-se o início de uma bela amizade. Nos primeiros telefonemas As Galvão, principalmente a Mary,  não acreditavam que um menino de 15 anos pudesse ser fã incondicional da dupla. Não deram muita confiança mas fui persistente, até que em Dezembro do mesmo ano surgiu a oportunidade de ir à São Paulo conhecer as estrelas Mary e Marilene Galvão, e sentir a maior emoção de minha vida. Passei  trinta maravilhosos dias em companhia das Galvão e a partir daquele momento nosso relacionamento deixou de ser somente Fã e Artista e passou a ser uma grande amizade.

Voltando de São Paulo, conheci outra pessoa maravilhosa, me apaixonei, nossos destinos foram selados, e conquistei-a com a música “Pedaço de Mim” das Galvão. É a Juliana, meu amor, minha luz, minha companheira, minha heroína, minha amiga e fã nº 2 das Galvão, porque sou ciumento, e digo com toda franqueza, a Ju faz parte da minha história com As Galvão.

Com As Galvão, durante esse tempo de amizade e companheirismo, tivemos grandes emoções, muitas alegrias, tornei-me amigo de todos os outros artistas sertanejos caipiras, participei da história da  música caipira e da vida e carreira desses artistas.

As Galvão são exemplos de humanidade, companheirismo, luta e carisma, prova disso  é que durante toda sua história musical tiveram ao seu lado grandes amigos: Zé Fortuna, Tião Carreiro, Zico e Zeca, Liu e Léu, Zalo, Vieira, Zé do Rancho, Zacarias Mourão, Goiá, João Pinheiro e mais uma lista interminável. Em todos os seus discos, desde os famigerados 78 rotações, digo famigerados pois quebravam com um simples olhar, participaram grandes artistas e diga-se de passagem, todos participaram dando o melhor de si e fazendo aquilo com muito amor, carinho e respeito. Entre eles estão Mario Zan, Palmeira, Zé do Rancho, Piraci, Caçulinha, Julião, Bambico, Robertinho do Acordeon, Zino Brito, Alberto Calçada e o maior responsável pelas obras gravadas pelas Galvão, Mario Campanha. O Mario acompanha As Galvão há muito tempo e vale lembrar que no novo trabalho das meninas estão presentes Mario Campanha, Jackson Antunes e José Béttio,  grande sanfoneiro, comunicador e programador sertanejo, afastado há 16 anos do meio artístico.

No ano de 2000 o programa Viola, Minha Viola da TV Cultura, apresentado pela querida Inezita Barroso, prestou uma homenagem muito merecida para As Galvão e, representando todos os amigos, estavam lá: Zico e Zeca, Mococa e Paraíso, Mario Zan, Leide e Laura, Renato Teixeira e Mario Campanha. A verdade é que todos têm esse carinho por elas, por serem as amigas dedicadas e companheiras que são. Zé Fortuna já havia feito, em 1979, uma música para demonstrar o que elas representavam para todos e elas gravaram no LP “Riozinho”

“...Se um dia precisar de alguém prá lhe escutar,
    Pode na sua dor contar comigo.
Se um dia precisar de um ombro prá chorar,
    Chore no meu ombro amigo...” 

(Ombro Amigo – José Fortuna/Carlos Cézar)

Por onde As Galvão passam deixam uma legião de fãs e amigos e numa dessas andanças conheci, por intermédio delas, uma pessoa muito especial, João Pinheiro, um grande violeiro, parceiro de Zé do Cedro, um fã e amigo nosso. Foi na ocasião do show de 50 anos de carreira das Galvão, um show cheio de emoção, energia positiva. Participei da concretização de mais um sonho das Galvão.

O João Pinheiro mostrou uma letra que ele estava compondo e mais tarde gravaria em seu primeiro CD, “As Rainhas”, uma homenagem muito bonita. Enfim, ele é uma pessoa iluminada e que merece todo o nosso respeito. João, receba meu abraço e das Galvão.

“ Floresceu na nossa música duas rosas em botão
De Ourinhos e Palmital são filhas daquele chão
Com cinco e sete anos iniciaram a profissão.
Muito cedo começaram as rainhas do sertão
Dando provas de talento hoje são um monumento
Seu nome é tradição.

Sucesso subiu bem alto, estourou feito rojão
São queridas pelo povo do doutor até o peão
Lutando é que se vence, taí a confirmação.
Já fazem parte de um time muitas vezes campeão
Apesar da majestade digo com sinceridade,
Não mudam de opinião.

Construíram uma história com zelo e dedicação,
Mary tocando sanfona, Marilene o violão.
Para os principiantes sempre estenderam a mão.
Ensinando o que sabem sem temer competição,
Professoras primorosas são elas as fabulosas,
Queridas Irmãs Galvão.

Rabisquei esta modinha prá fazer dedicação,
Às rainhas ofereço com amor e devoção,
Com a MAGIA DA VIOLA, encantaram a nação,
NO CALOR DOS TEUS ABRAÇOS sentimos toda afeição.
São mais que TRÊS MARAVILHAS, PEDACINHOS de alegria,
Parabéns Irmãs Galvão.”  

(As Rainhas – João Pinheiro)

As Galvão tiveram participação especial em gravações de muitos outros artistas, como por exemplo: Nhá Barbina, Liu e Léu, Ronaldo Adriano, Cézar e Paulinho, Tião Carreiro e Pardinho, Marcelo Costa, Roberta Miranda e mais recentemente, com a música Cheiro de Relva (José Fortuna/Dino Franco), no disco de Daniel.

Foram homenageadas muitas vezes e também homenagearam muitos colegas, entre eles o Tinoco no show de seus 81 anos e agora, no dia 21/9/2001, prestaram uma linda e merecida homenagem ao grande amigo Vieira  quando subiram ao palco com Liu & Léu, Zico & Zeca, Mococa & Paraiso e cantaram com muito amor e emoção. Somente quem estava lá pôde sentir o carinho que elas tinham pelo Vieira.

Bem, pessoal, encerro por aqui provisoriamente, prometendo voltar com novidades. Quero demonstrar o quanto As Galvão representam para mim, são meus ídolos, minhas amigas, são duas pessoas que Deus e a Natureza abençoaram para cantar e encantar nosso mundo.
São simplesmente AS RAINHAS SERTANEJAS.

E tenho dito!

Maikel Monteiro

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